Para pensar

De José Saramago, em Cadernos de Lanzarote (ed. Companhia das Letras, 1997, p. 421):

“É urgente regressar ao pensamento socialista, que não existe outro caminho que possa restituir-nos, de forma plena, ao menos satisfatória, um sentido humano, humano autenticamente, de dignidade e de solidariedade. Não devemos aceitar que a justa acusação e a justa denúncia dos inúmeros erros e crimes cometidos em nome do socialismo nos intimidem: a nossa escolha não tem por que ser feita entre socialismos que foram pervertidos e capitalismos perversos de origem, mas entre a humanidade que o socialismo pode ser e a inumanidade que o capitalismo sempre foi. Aquele ‘capitalismo de rosto humano’, de que tanto se falou nas tais décadas atrás, não passava de uma máscara hipócrita. Por sua vez, o ‘capitalismo de Estado’, funesta prática dos países ditos do ‘socialismo real’, foi uma caricatura trágica do ideal socialista. Mas esse ideal, apesar de tão espezinhado e escarnecido, não morreu, perdura, continua a resistir: talvez por ser, simplesmente, embora como tal não venha mencionado nos dicionários, um sinônimo da esperança.”

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