Contos de redação – Parte 1

Por mais uma noite os ponteiros se esbarraram lá no alto, no número 12, e me veio o pensamento costumeiro: “falta mais uma hora”. Era começo de semana e madrugada de Rio de Janeiro tranqüilo-na-medida-do-possível. Na redação, os gatos-pingados de sempre. Por isso, me assustei com a presença estranha, quando ouvi aquela voz rouca, que me chegou aos ouvidos precedida pelo bafo quente na nuca e o cheiro de cigarro. “Boa noite”, me disse.

Não pude responder ao cumprimento. Ao invés disso, busquei ao redor olhares estupefatos e cúmplices do meu. Nada. Ninguém parecia notar aquele homem de chapéu que passara dos 70, metido num terno azul-marinho de corte démodé, com um lenço vermelho que transbordava cafona do bolso direito do paletó.

Com um sorriso meio de lado, que fez balançar o cigarro apagado feito uma antena de barata, ele parecia debochar do meu estupor. “Tenho te observado todas as noites”, me revelou, repetindo aquela voz rouca, aquele bafo quente, aquele cheiro de cigarro…

(Continua no próximo post)

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