Adaptação

Às vezes tenho a sensação de que o ápice da criação é o princípio do clichê. Quem faz algo inovador, mesmo que esteja livre da hostilidade de seus contemporâneos, ainda assim corre um risco: o de ter sua imagem pra sempre aprisionada em uma criação.

Gosto dos heterônimos. Ouvi dizer que os artistas japoneses são os mais afeitos à idéia de mudar de nome para tentar inibir essa necessidade humana de a tudo rotular como forma de “domar” um universo em constante movimento.

Amor tem disso também. No momento do encontro há boas doses de futuros motivos para o desencontro. Uma simples vontade de mudança de um vira o desespero do outro.

O mundo está cheio de pessoas pouco afeiçoadas a transformações.

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3 comentários sobre “Adaptação

  1. Oi, Gi!
    Quanto tempo!
    Adorei seu post!

    Assisti ano passado a peça A Alma Imoral… vc viu? Fala muito sobre almas que vivem constantes mudanças, transformações… tem o livro, recomendo, boa leitura!

    Tem dois trechos que amo e que vou colocar aqui pra vc, tá?! Meio grandinhos, mas espero que vc goste!

    Sobre relacionamentos (no caso, casados):

    “Quando um cônjuge esboça transformações em sua pessoa, implicando transformações na relação, o outro muitas vezes cobra justamente os compromissos assumidos, dando um passo para trás. Não reconhece que seus direitos de apego não têm o menor valor numa relação em que o compromisso explícito é o relacionamento. Se, numa relação, alguém se modifica, o pacto é este: todos devem se colocar em movimento. A reação de dar um passo para trás – expondo carências, coletando justificativas ou evocando direitos – é um apego que, em si, é a maior das traições ao sonho assumido em pacto. (pg 31)”

  2. Sobre mudanças e sociedade:

    “Transgredir é transcender, e nossa história não teria mártires no campo político, científico, religioso, cultural e artístico caso fosse possível transcender sem colocar em risco a sobrevivência da espécie. (…) Se por sede de poder alguém rompe com o senso comum da melhor ordem para preservação e reprodução de nossa espécie, é um fora-da-lei. O traidor, por sua vez, é um transgressor. Ele propõe outra lei e outra realidade. Se alguém rompe com a estrutura tradicional de família, se pode ser caracterizado como um perverso, este tem seu lugar garantido na sociedade. Ele é o que não se deve fazer. (…) No entanto, se o rompimento com a estrutura familiar é acompanhado de um desejo de legitimação dessa conduta, esse indivíduo é inaceitável e um bom candidato ao martírio. (pgs. 18 e 19)”

  3. preciso urgentemente voltar a ler essa mulher, estou sem tempo e ao mesmo tempo lendo bem.
    mas vou voltar a ler te .
    Continuas afiada como a navalha fria, e o pior é que a navalha fria corta fundo e não faz dor, mata sem doer…
    um abração em ti

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