28 dias de café – parte 8: “Tempos do kibutz e mudanças pra vida inteira”

O Kibutz Ein Hahoresh foi fundado no início da década de 1930 por um grupo de judeus da Europa oriental, poloneses em sua maioria. Não saberia precisar exatamente quantas pessoas moravam lá em 2000, mas diria que o número de membros – os kibutznikim – passava dos mil. Lá havia acomodação para 30 voluntários, que eram alojados em diversas casinhas de madeira pra lá de modestas, de três quartos simples ou um duplo. Como acontecia em outros kibutzim, essas casas ficavam numa área reservada, onde ficavam também os nossos espaços comuns: o refeitório-cozinha dos voluntários, uma precária sala de jogos (com uma velha mesa de ping pong) e uma sala de TV (inacreditavelmente, nunca houve brigas por causa dos canais).

Rotineiramente, os voluntários se encontravam já no café da manhã, quando todos, com exceção dos que cumpriam escala na fábrica (porque esses faziam a primeira refeição no local de trabalho), se sentavam juntos nas duas grandes mesas destinadas aos voluntários no salão de jantar central do kibutz. No almoço, a mesma coisa, o mesmo encontro, as mesmas pessoas. No jantar, o espaço de convivência passava a ser o nosso refeitório na área dos voluntários.

Os horários de chegada e saída do trabalho variavam um pouco. Alguns faziam horas extra (para cada seis horas acumuladas, ganhávamos um dia de folga), mas via de regra, às 15 horas, nas tardes de verão, nos encontrávamos também na piscina do kibutz. Dependendo do dia da semana, ou por causa de alguma celebração, jantávamos todos no salão central. De tempos em tempos, a exibição de algum filme no cinema de Ein Hahoresh se transformava em mais um motivo de encontro e integração também com os kibutznikim. Às quartas-feiras, um ônibus gratuito levava os voluntários para a Vertigo, uma disco em Haifa, cidade ao norte de Israel, distante 40 quilômetros. Nas noites de quintas, íamos para o pub de Givat Haim, o kibutz vizinho, produtor de laranjas e sucos – e, por isso, alvo de eventuais saques de voluntários de Ein Hahoresh no caminho bêbado de volta pra casa. Sarah, há anos responsável por liderar o grupo dos jovens do mundo inteiro que decidiam viver a experiência comunitária, não raras vezes nos dava broncas homéricas por encontrar vestígios indiscretos do delito, como cascas de laranja espalhadas por todo o nosso refeitório e mesmo em outros cantos da área dos voluntários.

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2 comentários sobre “28 dias de café – parte 8: “Tempos do kibutz e mudanças pra vida inteira”

  1. Gi, que delicia ler as suas memorias que sao minhas tambem e que estavam perdidas na minha cabeca para la de maluca!!! Obrigada por este dom maravilhoso seu de registrar e dividar com todos, esses momentos unicos da vida. Beijoca 🙂

  2. Fê, vai me ajudando a lembrar de mais coisas! Fiz esse exercício com o Dave e o John na última vez que nos encontramos, em dezembro do ano passado. Saiu cada pérola… ainda nem publiquei.
    Muito bom te ter por aqui.
    Beijo

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