A mulher

Quis confessar várias vezes, mas desistia sempre. Talvez por achar que tudo já estivesse claro e que o óbvio ululava acima de qualquer suspeita.

Nem se faziam necessários grandes poderes de adivinhação: dava pra sacar pelo brilho no olho e pelo coração acelerado. Também pela boca indecisa, perdida com as possibilidades de caminho, sem saber se beijava ou se sorria. Tava lá, revelado em gestos e gemidos, impresso na aflição mal disfarçada de quando se especulou uma despedida.

Crescia, a cada encontro, a vontade de anunciar o que no estômago era frio e no ventre, quente. Mas, até o fechamento desta edição, nenhuma palavra havia sido dita.

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2 comentários sobre “A mulher

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