A teoria da espiral*

Relatório conclusivo de novembro de 2006:

…concluímos, entre outras coisas, que o problema da lógica do casal é que as duas pessoas congelam as próprias existências com medo de desencontro. A mudança do outro é sempre ameaça, então, por insegurança, aprisiona-se quem supostamente ama-se, pra que outras existências possíveis não representem afastamento, separação.

O problema é que a vida é feita desses desencontros e reencontros e, se deixar fluir, eles sempre acontecem. O exemplo que usamos foi o da espiral do DNA, que se enrosca e desenrosca, têm pontos de contato eventuais entre as sequências de código genético, mas elas sempre mudam, se recombinam, e se reencontram lá na frente, alteradas, com codificação já completamente outra, mas sempre se reencontrando, sempre fluindo.


* Teoria formulada em uma noite de fins de agosto de 2006, em Amsterdam, sob condições especiais de temperatura e pressão.

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5 comentários sobre “A teoria da espiral*

  1. Pensando bem, a dinâmica dos indivíduos não seja uma ameaça à manutenção de um relacionamento duradouro, mas a condição para mantê-lo sempre instigante, vivo, interessante e estimulante. Tudo vai de não nos fecharmos para a aventura de viver do outro. E se do movimento resultar separação, bem, quem sabe se não é o começo de mais uma das muitas vidas que podemos viver se nos permitirmos?

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