As Damas-da-noite

Declaro meu voto para as belas Damas-da-noite.

Porque elas exalam o odor que me encoraja quando o caminho é todo feito de sombras. Perfumam, insistentes, a despeito das trevas que espreitam adiante. Lá, onde gatunos e Excelências pardas conspiram contra qualquer sol que revele suas caras lavadas.

Ah, as despudoradas Damas-da-noite…

Ousam duelar contra o fedor de enxofre que se desprende do altar de deuses podres. E diante de um batalhão de porcos encardidos, oferecem seu perfume em sacrifício e se revestem de armaduras também feitas de flores.

Ah, essas Damas-da-noite e do mundo…

Ave mulheres cheias de asas! São primeiras-damas da vadiagem que, regadas por água de lata, cheiram a luta, se embriagam de rua e trocam as pétalas na Lapa.

Ah, as valentes Damas-da-noite!

Suas sementes voam livres em desacato ao breu da História. Germinam onde restava apagada a esperança e espalham o cheiro doce que anuncia a inevitável luz de um novo dia.

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6 comentários sobre “As Damas-da-noite

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