Sobre sentidos na vida e as verdades de cada um

Há alguns meses deixei minha zona de conforto e me movi em direção a um sonho antigo: fazer mestrado (em uma área completamente diferente da que vinha atuando nos últimos 14 anos). De lá pra cá, muitas mudanças, não só geográficas. O mundo resolveu se chacoalhar um bocado também, o Brasil tá revirado e se reinventando, e eu, revirada e me reinventando, não canso de me perguntar qual é o meu lugar nisso tudo. Confesso até que já bateu um certo desespero. Nos últimos meses, e mais precisamente nas últimas semanas “interinas”, quem nunca?

Mas, ao mesmo tempo, chega uma serenidade guerreira, teimosa e improvável, nascida precisamente dessas mudanças todas, internas e externas. Bate uma esperança advinda da certeza de que “nascer é uma alegria que dói”, como disse o Galeano, e brota uma paz de espírito porque tenho sido capaz de viver o sonho, de transformar o cotidiano, de expandir as viagens de sempre e fazer dos meus dias uma constante descoberta. E acaba que meu lugar no mundo, aos poucos, se torna cada vez mais claro.

Fico me perguntando onde estive antes e como foi possível, durante tanto tempo, viver tão em desacordo comigo mesma – e, por consequencia, não sendo inteira nas minhas relações, de um modo geral. Parecia faltar uma verdade, e faltava mesmo: a minha verdade.

Sofri muito por ver os meus dias se esvaírem em uma rotina que não fazia sentido, com a maior parte do meu tempo dedicado a um trabalho que já não me preenchia – e que se traduzia materialmente na manutenção de uma vida que me matava. E falar sobre isso não é fácil, principalmente porque muitas pessoas se encontram em uma condição parecida, mas já entregaram os pontos faz tempo, e por isso tentam te convencer de que não resistir é a única forma possível de redenção. Mas nada disso é verdade – embora tenha se tornado a verdade de muitos.

Hoje, pra mim, tudo se apresenta diferente. Sinto, vivo e sei (com meu coração, vértebras e entranhas) que nosso lugar no mundo a gente constrói, mas essa construção precisa se dar a partir das bases certas, sob o risco de, tijolo por tijolo, a gente acabar soterrado.

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2 comentários sobre “Sobre sentidos na vida e as verdades de cada um

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