Começo do fim do mundo: dia 2, fragmento 2

O amor e o ódio são apenas dois lados da mesma moeda. Mas com o amor algo trágico aconteceu, e é inimaginável como esse passo drástico foi dado pelas pessoas que tinham as melhores intenções no mundo. Você pode nunca ter suspeitado do que destruiu o amor. Foi o contínuo ensino do amor que o destruiu. O ódio ainda é puro; o amor não é. Quando você odeia, seu ódio tem autenticidade. E quando você ama, é apenas hipocrisia.

Isso tem de ser entendido. Por milhares de anos todas as religiões, os políticos, os pedagogos, têm ensinado uma coisa, e essa coisa é o amor: ame seu inimigo, ame o seu vizinho, ame os seus pais, ame a Deus. Para início de conversa, por que eles começaram essa estranha série de ensinamentos sobre o amor? Porque tinham medo do seu amor autêntico, porque o amor autêntico está além do controle deles. Você é possuído por ele. Você não é o possuidor, você é o possuído, e toda a sociedade quer que você esteja sob controle. A sociedade tem medo da sua natureza selvagem, tem medo da sua naturalidade, e por isso desde o início começa a cortar suas asas. E a coisa mais perigosa que existe dentro de você é a possibilidade do amor; porque se você for possuído pelo amor, pode se colocar contra o mundo todo.

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Para manter uma pessoa sob controle, você tem de criar, desde a mais tenra idade, uma falsa ideia do amor, e insistir nela continuamente, para que a pessoa nunca se torne possuída pelo amor autêntico e nunca enlouqueça; sempre permaneça sã. ‘São’ significa ser um escravo das regras da sociedade; ‘são’ significa ser um seguidor das regras da sociedade.

O amor pode torná-lo rebelde.

O falso amor o torna obediente.
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Desde o início da sua infância ensinaram-no a amar a Deus, a quem você não conhece; não tem nenhuma certeza de que ele existe. O seu amor tem de ser desviado em uma direção absolutamente imaginária; não há realidade correspondente a ela (…) Desde a infância estão desviando o seu amor para dimensões irreais. Uma coisa, que é uma estratégia muito astuta, é dar ao seu amor uma forma, uma determinada direção, que não pode ser cumprida; e, por causa disso, aquilo que pode ser cumprido não lhe será atrativo. Uma pessoa que foi ensinada a amar a Deus vai achar que se ela amar uma mulher ou um homem estará caindo muito baixo.
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Minha mensagem do amor não é a mensagem daquele amor que é o oposto polar do ódio. Minha mensagem de amor é daquele amor que é capaz de absorver o ódio e transformá-lo (…) O mundo pode ficar cheio de amor, do amor sobre o qual estou falando. E só esse amor vai transformar o ódio no mundo — não o amor que lhes foi ensinado. Esse não tornou o mundo mais amoroso, o tornou mais odioso; ele tornou seu ódio mais verdadeiro e mais autêntico, e seu amor mais parecido com uma hipocrisia.

Do Osho, em “Poder, política e mudança”.

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