Adaptação

Às vezes tenho a sensação de que o ápice da criação é o princípio do clichê. Quem faz algo inovador, mesmo que esteja livre da hostilidade de seus contemporâneos, ainda assim corre um risco: o de ter sua imagem pra sempre aprisionada em uma criação.

Gosto dos heterônimos. Ouvi dizer que os artistas japoneses são os mais afeitos à idéia de mudar de nome para tentar inibir essa necessidade humana de a tudo rotular como forma de “domar” um universo em constante movimento.

Amor tem disso também. No momento do encontro há boas doses de futuros motivos para o desencontro. Uma simples vontade de mudança de um vira o desespero do outro.

O mundo está cheio de pessoas pouco afeiçoadas a transformações.

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Aprendendo a embrulhar o presente

Tinha a intenção de relatar meus dias aqui na Europa em detalhes; viver o hoje de cada minuto, processar sensações e depois passá-las adiante com o meu embrulho colorido de palavras (embalagem conta muito, dá personalidade ao que tem dentro). Desisti da idéia porque percebi que precisava encontrar a embalagem adequada para o produto resultante da matéria-prima que ainda processo mal. Meus dizeres-invólucro servem mais para o que está posto há certo tempo do que para o que acaba de me ser apresentado. Nenhuma novidade. Sempre admiti isso.