O que a vida quer da gente é coragem

Faz um tempinho, estabeleci um princípio para balizar TODA e QUALQUER decisão na minha vida: nunca, jamais, em tempo algum, sob qualquer hipótese, fazer escolhas pautada pelo medo.

É um exercício penoso e diário, que envolve uma série de desconstruções. Especialmente pra quem nasceu e cresceu vendo todos ao redor meio acuados, meio desorientados e desesperançosos por conta dos solavancos a que estava submetida a imensa maioria das famílias brasileiras nas décadas de 1980 e 1990. No meu caso, era filha de funcionários públicos: de uma professora primária do Estado do Rio, que TODOS OS ANOS, lá pro mês de julho, precisava administrar os atrasos do salário, e de um engenheiro civil do falecido DNER, que se recusou a ir pra Brasília quando o Collor desmontou o órgão no Rio e precisou arcar com as consequências dessa escolha — entre elas, uma redução brutal de salário e o “terrorismo diário” (era a expressão que meu pai usava) envolvendo uma possível perda de emprego, mesmo sendo ele concursado.

Cresci sentindo e naturalizando o medo cultivado diariamente na nossa sociedade. Confesso que enchi o saco. Virei a chave e agora só faço escolhas pautadas pela coragem. É a minha forma de resistência. Vou votar no candidato que considero o mais preparado, por uma série de razões, sem a ingenuidade de achar que existem santos (até porque gosto mesmo é do mundo dos seres humanos, com todas as suas imperfeições). Simples assim.

Como dizia o sábio Riobaldo, de Grande Sertão: Veredas, o que a vida quer da gente é CORAGEM. E isto, agir com coragem, é a única coisa que espero e desejo para todos os meus amigos que acreditam na democracia e lutam por um país mais justo.

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