28 dias de café – parte 7: “O que não está aqui, não estará lá”

Escrevi algumas crônicas sobre a viagem de 2006, algumas publicadas no blog antigo, mas o meu estado de espírito, minhas fraquezas e esperanças, agonias e exaltações, essas eu somente revelava ao meu caderno de capa de couro decorada e miolo em papel pólen (presente do Natal anterior que minha irmã trouxera de Florença). 

Numa tarde de dezembro, já em 2008, em Londres, num desses dias em que passei de cama por causa de uma reviravolta no estômago, com o mesmo caderninho nas mãos, resolvi reler meus textos de dois anos antes. Então, comparei os momentos, me dei conta de algumas das minhas transformações e me senti profundamente infeliz.

Se eu pudesse eleger um sentimento predominante em cada uma das viagens, eu diria que a de 2000, ao Oriente Médio, envolvia surpresas e receios. Em 2006, eu era puro brilho nos olhos, peito aberto e, não por acaso, estive propensa a muitos encontros. Em 2008, a melancolia que me tomava me seguiu até a Europa. Era a comprovação de que o sentimento não se referia a um lugar, ao Rio de Janeiro de sempre, onde fazia tempo eu já não enxergava novidades e pulsações.

Estava eu em Londres com o mesmo ar perdido e desinteressado. A sensação me assustou, e me fiz acreditar que era apenas um indício de que precisa buscar algumas respostas. O meu privilegiado olhar, estrangeiro e mágico, que me proporcionara os melhores momentos que minha lembrança podia alcançar, esse olhar salpicado de beleza e estrelas eu perdera. E entendi, naquele momento, que reencontrá-lo era a única coisa que importava.

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