And I feel fine…

Eu até que tive a oportunidade de ir ao Planeta Terra com a Flavinha, que ganhou dois convites como recompensa pela atitude, mas, Offspring, Block Party e Kaiser Chiefs me perdoem, o R.E.M. ocupava um lugar maior no meu coração e na minha playlist.

Michael Stipe merece muito o meu respeito. Educado e carismático, ele é pura presença, sem afetações de roqueiro velho. Mandou ver no bailado jeitoso, desceu pra cantar no meio da galera e deu uma bitoca singela no companheiro de banda. O show não contou com pirotecnias hightech, seguiu a linha simples e o brilho ficou mesmo por conta de Stipe, Peter Buker e Mike Mills, que fizeram bonito.

O repertório perfeito combinou músicas do novo álbum “Accelerate”, lançado em março de 2008 (destaque para Hollow Man), uma seleção caprichada dos antigos, com direito a Ignoreland, Imitation of Life,Orange Crush, Everybody Hurts, Man on the Moon (que fechou o show) e obviedades como The one I love, Loosing my Religion e It’s the end of the world as we know it – que se confirma como o sucesso menos cantado de todos os tempos (sei de cor metade da primeira estrofe e 1/3 da segunda e já me considero quase uma lenda viva por isso). Mas o refrão estava na ponta da língua da galera, que interagiu bonito respondendo com um alto e bom “fine!” como resposta ao “And I feel…” de Stipe.

O vocalista foi aclamado quando tocou no assunto mais falado da semana e manifestou seu contentamento com a eleição de Obama, que ganhou imagens no telão com legendas tipo “Barak ‘n Roll” (no show em Santiago, no dia da eleição, também rolou rasgação de seda).

Foi engraçado ver a “garotada” na casa dos 40 tão emocionada quanto os fãs de vinte e poucos (e eu posso jurar que vi gente que não passava de 19). Sem tribos identificáveis, as camisetas com o nome da banda eram o máximo de label que os cariocas apresentaram. Uma gente da paz que completou o clima bom na HSBC Arena, que eu não conhecia, mas me surpreendeu como opção de local para shows.


Man on the moon fechou o show