Promessas para Santa Teresa

Subi. Depois… cadê a vontade de descer?

Fui de bonde até o Largo dos Guimarães, onde encontrei o Paulo. Almoçamos no Mineiro uma carne-seca com purê de abóbora, couve, arroz e feijão. No capricho, honrando a tradição do restaurante. Duas doses de cachaça pra acompanhar, pra comemorar.

De lá, partimos pra nova casa, onde conversamos. Com aquele vento gostoso que entra o dia inteiro pelos janelões, com aquela vista pro Rio de Janeiro que há muito eu não via tão mágico.

Mais um pouquinho e descemos até o vizinho Léo, pra prosear e tomar o cafezinho que ainda não podemos fazer por falta de cafeteira, por falta de fogão. A geladeira, o som, o sofá e a mesa da sala o Paulo já providenciou. Ele está feliz da vida de já poder ter alguém pra quem cozinhar. Ah, ele adora cozinhar… Faz uns quitutes árabes que, confesso, pesaram muito na minha decisão virar sua flatmate.

O papo animado na casa do Léo, som do pandeiro que o anfitrião aprendeu a tocar com a Dona Patroa, bela Clarice, percussionista das boas, que toca ali pertinho, onde Santa acaba e a Lapa começa.

Depois voltamos lá pra casa, o Léo junto, e tomamos cerveja nós três. Não fosse o compromisso de encontrar o pessoal do Caroço no Largo do Machado, eu nem tinha voltado pra dormir em Niterói.

Pensei no Luquinhas o tempo inteiro enquanto perambulava pelas ruas do meu novo bairro. Será que ele vai gostar de andar no bonde daqui? Ah, se depender de mim, ele vai crescer achando o Rio mágico.

E o canário fez que nem holandês voador…

O dia amanheceu lindo naquele já distante primeiro domingo do inverno (tanta bola – rolada, parada e nas costas – desde então…). Manhã azul pra reforçar a fama do céu de junho e sol quente pra abençoar o Rio de Janeiro. Um dia, canarinho, você se encanta também. Por enquanto eu fico de cá te embalando com palavras…

Foi no domingo bonito feito assim que fiquei dividida. Já havia torcido contra os hermanos e bom que ganhei um empate diplomático. Mas, antes mesmo do começo de Portugal e Holanda, meu coração já doía. Dureza não apoiar o Felipão, ainda mais porque assisti o jogo na praia de Ipanema – aliás, temos fotos juntos lá, sabia? Falta agora eu te levar no Arpoador, onde as pessoas aplaudem o pôr-do-sol. Era lá que eu estava pouco antes do início da partida…

Precisei ser discreta pra ninguém perceber minha torcida, alaranjada feito o sol que se pusera havia pouco. Mas Felipão venceu, a despeito de minhas pragas pouco convincentes. Mal sabia eu que aquela seria uma vitória providencial, melhor dos consolos para as derrotas que se seguiriam. Não só a do Brasil – fique claro! – pois, creia-me, chorei com os hermanos.

Acho engraçado tudo agora. O tal do grito de doelpunt contra o Brasil deixou de acontecer não só devido a despedida da seleção holandesa. No fim das contas, nos disseram (ou nos dissemos?) au revoir. O curioso é que, enquanto nos entristecíamos por aqui, você aproveitava as férias na França.

Hum… Canarinho laranja, não me diga que você se transformou num galo!?!?