Malandragem

Hoje resolvi comprar minha mesa nova para o computador. A entrega em casa com montagem representava um acréscimo de apenas 11 reais, porém a encomenda chegaria somente no dia 8. Como não aguentava mais não ter onde escrever, retirei hoje mesmo da loja. Carreguei a caixa de 12 quilos debaixo do braço pelo shopping pensando que a falta de carro ou de vassalos não me impediria de resolver minha vida. Paguei 13 reais no taxi e pronto.

Mas, chegando em casa, já disposta a começar a montagem, li no manual que o trabalhinho precisaria ser realizado por duas pessoas. Pensei na hora em ligar pro zelador, que quebra todos os meus galhos, mas confesso que me bateu um acanhamento ao imaginar a cara dele de quem pergunta “pra que serve aquele incompetente que anda frequentando o seu ap?”.

Resolvi, então, pedir ajuda pro meu irmão, mas ele só podia no sábado. Nisso, na minha face de super-mulher-independente-que-não-precisa-de-carro-nem-de-ninguém-para-resolver-a-vida começou a brotar, quase imperceptível, um biquinho de contrariedade.

Como queria mesmo uma desculpa para falar com o super eficiente que anda frequentando meu ap, mandei um sms pra ele: “Estou precisando tanto de um engenheiro…”. A resposta do rapaz não tardou: “E eu de uma morena linda, leitora de contos, para tomar vinho e ver a lua cheia”. Antes que eu voltasse das nuvens para responder qualquer coisa, outra mensagem dele chegou: “Mas pra que vc precisa de um engenheiro?”. E eu respondi o óbvio: “Como assim pra q? Pra contar contos, tomar vinho e ver a lua, ora bolas”.

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