Do habitat por vezes antinatural

Faz quase um ano que não escrevo aqui. O último texto publiquei duas semanas antes de voltar para o Brasil, logo após ter aceitado a proposta inesperada da minha ex-atual-supervisora, que me convidou para reassumir meu posto nove meses depois do meu pedido de demissão. Como o motivo da minha demissão fora simplesmente a vontade de viajar por aí por tempo indeterminado, as portas, que não fechei, de repente se arreganharam na hora certa.

Era mesmo a hora certa. Por mais que ame viajar, que seja viciada nos incômodos, alegrias e vertigens proporcionados pela condição de estrangeira, chega uma hora em que é necessário parar e permitir que as experiências se sedimentem. E, no fim das contas, acho que só quando se volta pro lugar de sempre, pro habitat natural, pra zona de conforto, é que se percebe o quanto tanta coisa mudou pra sempre, irremediavelmente.